PORQUE EU GOSTEI TANTO DE ‘DAISY JONES & THE SIX’

Uma jovem que sonha em ser estrela do rock cruza seu caminho com uma banda em ascensão nos anos 70, e juntos chegam ao topo. Mas precisam enfrentar os dramas internos da banda enquanto rola muito sexo, drogas e, claro, Rock ’n’ Roll.

Essa é a história de Daisy Jones & The Six, uma minissérie de 10 episódios da Prime Video baseada no livro de mesmo nome, e mesmo sem ter lido ou sequer ouvido falar nesse livro antes da série, eu finalmente assisti e vim contar um pouquinho do que eu achei. Eu resolvi ver mais porque ela estava concorrendo em algumas categorias do Emmy que era do ano passado, mas acabou só acontecendo esse ano.

A série rola meio que como se fosse um documentário, porque a banda Daisy Jones & The Six tava no topo, lotando shows, e absolutamente do nada eles encerraram as atividades e nunca falaram sobre o motivo. Mas 20 anos se passaram e um documentário foi feito relatando o início da banda e o motivo de eles terem parado. Então vai intercalando cenas dos acontecimentos com alguns comentários deles 20 anos depois sobre aquela época.

Foto: Divulgação Prime Video

Bom, de cara eu achei que não ia me apegar muito e teria que assistir meio que forçado. O primeiro episódio não me prendeu tanto na banda, apesar de ter despertado meu interesse na Daisy Jones. Ela foi uma criança que sofreu muito nas mãos dos pais que destratavam demais a menina, e isso sempre mexe comigo, ainda mais agora que sou pai. Não aguento ver criança sendo maltratada, já me sobe uma raiva e uma vontade de abraçar a criança e dizer que vai ficar tudo bem.

Então foi dificil ver o começo da série que tava muito focada nos Dunne Brothers, que era o nome inicial da banda The Six.

Além disso minha ansiedade queria logo saber como eles iam se juntar. Acho que no fundo eu só queria assistir correndo pra acrescentar na minha lista de séries vistas e poder comentar no Emmy se merecia algum prêmio ou não. Parte da falta de conexão com a série, confesso, foi minha culpa.

Fora que eu não tenho ouvido pra música, então mesmo que eu goste do tema, goste de musicais (que não é o caso aqui), goste de histórias que envolvem música, eu demoro pra engrenar. Eu sou mais da voz, de me encantar pelas pessoas cantando. O instrumento raramente me impressiona porque eu simplesmente não tenho a sensibilidade dessa arte, a não ser que seja um violão ou um piano, que eu amo.

Talvez por isso meu foco começou mais na história da Daisy.

LACEY TERRELL/AMAZON STUDIOS

Só que, pra minha surpresa, a cada episódio que passava eu ia me interessando mais por toda a história. A série foi me pegando aos poucos, e quando percebi eu já não via a hora de ter um tempinho pra ver o próximo episódio. Eu não tenho mais aquele tempo disponível de maratonar uma série em 1 ou 2 dias como antigamente, então demorei um pouco mais. Até porque eu tava intercalando com Dahmer, que ainda nem terminei, inclusive.

Eu fui me empolgando, me apegando, e gostando cada vez mais de todo o drama deles, que ficou ainda melhor quando finalmente eles se juntaram. Ufa!

E aí aconteceu o que eu imaginei que aconteceria, o desinteresse virou obsessão, e já tem vários dias que eu terminei a série e as músicas ainda ficam ecoando na minha cabeça, e quase todos os dias eu coloco no Spotify ou YouTube pra ouvir de novo, porque são ótimas músicas diga-se de passagem.

Eu só não entendi como a banda passou de The Six pra Daisy Jones & The Six e ficou por isso mesmo? O Billy com todo seu egoísmo não foi contra? Eu não entendi, não sei se perdi alguma cena sobre essa mudança, mas me parece que faltou a série mostrar um pouco disso. Porque a primeira mudança de nome da banda recebeu bastante atenção, e aí nessa segunda mudança ela simplesmente aconteceu e foi ok pra todos? Achei estranho.

ALERTA DE SPOILER!
(a partir desse ponto do texto falarei de coisas mais específicas do final, portanto, contém spoilers)

Foto: Reprodução/IMDb

Bom, agora comentando rapidinho algumas coisas mais especificas e sobre o final polêmico.

Primeiro que o Billy é bem arrogante e chato, além de ter sido bem otário com a Camila que sempre apoiou ele. Deu muita, muita raiva mesmo, e eu torcia pra ele se ferrar bastante. Mas aos poucos eu meio que fui perdoando e torcendo por ele, ao mesmo tempo que dava muita dó da Camila já que era obvio que ele tava se envolvendo aos poucos com a Daisy. A química deles era inegável e maravilhoso de ver, principalmente nos shows e eles compondo juntos.

É errado torcer pelo fim de um casamento? Talvez. Mas a narrativa da série nos leva a ver a série dessa forma.

Por outro lado, a Daisy é outra arrogante que me fez ter um pouco de raiva dela de quando ela chega na banda mandando em tudo, mudando letra e agindo como se fosse a rainha, sendo que ela só ia participar de uma música, pegando embalo em uma banda já de sucesso.

E ok, dá pra entender porque ela já tinha sido muito passada pra trás, já tinham roubado música dela e tal. Mas mano, e daí? Eles não tinham a ver com isso. Acho que faltou ela chegar um pouco no sapatinho, faltou humildade. Já dizia Jorge Aragão, “respeite quem pode chegar aonde a gente chegou”. Se eles estavam já até fazendo turnê, ela tinha que respeitar a história deles.

Só que não era o suficiente pra eu torcer contra ela, porque de certa forma isso fez com que toda a banda tivesse voz, não só o Billy. Eles mesmos comentam isso no documentário.

E aí a coisa engrenou e eu torcia cada vez mais por eles, pra ficarem juntos logo.

Lacey Terrell/Prime Video/TNS)

E pra não estender demais o texto, vamos pro final. Eu gostei! Eu já disse que vez ou outra eu gosto de finais reais, inesperados, e que as vezes trazem alguma tristeza. E o pior é que nesse caso, se pensar bem, foi praticamente bom pra todos.

A Camila teve o casamento que sempre sonhou, foi feliz pra caramba. O Billy conseguiu se endireitar, viveu pela familia, foi bem feliz. A Daisy pode se livrar das drogas por conta própria, teve sua filha também.

E aquela química, aquela paixão deles dois, não foi desperdiçada, porque eles ainda tinham uma longa vida pela frente e finalmente puderam ficar juntos.

E sim, a Camila falar isso no vídeo talvez pode ter sido meio forçado. Mas de que outra maneira a série mostraria a aprovação dela pra isso acontecer, de forma natural? Não tem como. Foi oportuno como foi. A doença dela já estava avançada. E ela amava o Billy, jamais ia querer que ele, ainda novo, vivesse o resto da vida em luto, sofrendo. Queria que ele fosse feliz, e ela sabia que com a Daisy ele poderia ser feliz de novo, e que ela também seria feliz com ele.

Qual seria a alternativa? Eles terminarem o casamento, passarem por um divórcio difícil, com a filha sofrendo com a ausência do pai tendo que se dividir? Ou viverem feliz e a Daisy sofrer o resto da vida amando o Billy sem poder ficar com ele?

Claro que sempre tem a Versão Disney que seria a Daisy se apaixonando por outro e cada um no seu canto. Mas a vida não é tão simples assim. O sentimento que eles construíram foi forte, e mesmo que ele ficasse pra sempre com a Camila, e a Daisy com outro cara, eles sempre iam se perguntar como teria sido. Sempre iam se pegar pensando um no outro. Então, por que não?

Eu gostei sim. Me julguem.

Inclusive me lembrou muito um final de outra série aí que não vou citar, mas quem assistiu sabe, e sabe que gostei também. E o motivo é exatamente o mesmo. Lá vemos a esposa, já doente, pedindo pro marido “não viver o resto da vida preso apenas as histórias dele”. Ou seja, queria que ele fosse feliz seguindo em frente.

Eu, saudável, não consigo sequer imaginar falar pra Bia seguir em frente se eu morrer (hahaha). Fico com ciúme só de pensar. Mas qual a alternativa? Torcer pra ela ser infeliz e sofrendo?

Acho que o amor verdadeiro quebra justamente isso, e faz com que a gente queira que a pessoa que amamos seja feliz, independente de como isso faça a gente se sentir.

E pra finalizar, me pegou totalmente desprevenido descobrir que a pessoa que estava fazendo o documentário era a filha do Billy com a Camila. Essa eu realmente não esperava, e me emocionou demais ver eles dois juntos, ele falando com ela sobre a Camila.

Cara, me quebrou.

Na hora que ela falou “eu me lembro dessa noite, de voces brigando e ela usando um vestido roxo”, minha primeira reação foi “oxe essa doida tava espiando eles?”… mas aí minha mente ficou em modo carregando e aí a fica caiu. Achei lindo, e bem coerente, que ela não era uma simples jornalista querendo contar uma história.

Ela era alguém que nasceu e cresceu naquele meio, e achou que o mundo precisava saber o que aconteceu. E claro que, sendo ela, ficou fácil de convencer a galera a quebrar o silêncio.

Pra mim, final perfeito.

Foto: Divulgação Prime Video
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